«Finalmente!» «Ergueu um simples anel de ouro. «Procurei isto durante anos!»
«O que é?»
«Um anel metamórfico. Vou colocá-lo… Imaginar-me como… Ah! Maravilhoso!»
«Não vejo diferença?»
«Não tenho dores nas articulações!»
«Uau! Consegue fazer outras alterações?»
«Tudo o que imagines. Queres experimentar?»
“Quem vive com doenças crónicas – para quem o escrevi – gritou “Dá cá!” ao ler esta história. Quem não vive, em geral, queria mudanças mais visíveis.”
([Micro]Texto original de O. Westin (https://microsff.com/), incluindo a nota explicativa do autor, apresentado em Português, com tradução rápida por Claude Sonnet 4.6)
Hoje assinala-se mais um Dia Mundial do Lúpus, uma efeméride criada há mais de duas décadas[1] para celebrar a força de quem vive com esta doença — algures entre 3 e 5 milhões de pessoas no Mundo[2,3] — encorajar quem foi recentemente diagnosticado (cerca de 400.000 pessoas todos os anos[2]) e disseminar o conhecimento sobre a doença, na comunidade médica e na população em geral.
Falar sobre a doença a todos é importante – muda a perspectiva. Não sendo exactamente uma doença rara, é relativamente incomum para a comunidade médica alargada. O percurso até ao diagnóstico continua a ser, para muitos, longo e desgastante. Em 2020, a mediana europeia de atraso diagnóstico era de dois anos, e quase metade dos doentes recebeu outro diagnóstico antes de chegar ao lúpus.[4] Em cerca de 9%, esse diagnóstico prévio foi uma perturbação psicológica ou depressão.[4] Quando isso acontece, o atraso médio até ao diagnóstico correcto sobe para sete anos.[4] Embora em Portugal os dados apontem para um diagnóstico mais cedo, em torno de um ano, ainda persiste muito por fazer para diminuir o impacto deste “percurso invisível”.[5,6]
Como “invisível” pode ser muita da actividade da doença. Difundir a palavra “lúpus” não basta — temos de divulgar o seu impacto e mecanismos. A fadiga, que afecta 88% dos doentes portugueses, é também o sintoma mais frequentemente apontado como sub-tratado.[6] Ainda nos faltam boas armas. A melhor talvez seja oferecermos, hoje, a explicação de que a fadiga no lúpus é imunológica. O “nevoeiro mental” é real, ainda que seja muito pouco mencionado na consulta em Portugal.[6]
Um quarto dos doentes refere que os sintomas que expressa não são suficientemente valorizados pela equipa clínica.[6] Talvez um pouco de tudo isto — pressões externas, preconceitos, iliteracia — explique que entre os doentes insatisfeitos com o controlo da doença, 36% não comunicaram essa insatisfação ao médico assistente.[6]
Há uma razão que não pode existir num dia como o de hoje. A da percepção, por parte do doente, de que não há mais nada a fazer. Mais de metade dos insatisfeitos acreditava ter atingido o melhor estado possível.[6] Com os avanços que temos hoje, duvido que seja assim.
A consulta tem limites de tempo, e é impossível abordar todos os sintomas, sempre. O que podemos fazer é abordar os mais importantes — para o médico, e para o doente. Se não é nomeado, não é tratado. Se a fadiga não melhora, se o estado de espírito piorou, se há algo que mudou desde a última consulta, vale a pena dizê-lo. A comunicação é a magia mais poderosa que temos.
[1] World Lupus Federation. World Lupus Day. worldlupusfederation.org/world-lupus-day (acedido em Maio de 2026).
[2] Siegel CH, Sammaritano LR. Systemic Lupus Erythematosus: A Review. JAMA 2024;331(17):1480–1491.
[3] Hoi A, Igel T, Mok CC, et al. Systemic lupus erythematosus. Lancet 2024;403:2326–2338.
[4] Cornet A, Andersen J, Myllys K, et al. Lupus Science & Medicine 2021;8:e000469.
[5] Living with Lupus in 2020 — Country Level Data: Portugal. Lupus Europe, 2021.
[6] Cornet A, Karakikla-Mitsakou Z, Andersen J, et al. Autoimmunity Reviews 2025;24:103838.

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